Hoje deve ser o dia mais enjoado do pós-operatório, porque realmente não enxergo nada. Então as últimas noites se resumiram a ligar a KissFm e olhar pro teto dentro do quarto com as luzes apagadas.
Nesse meio tempo lembrei de um sábado de carnaval em que tive que pegar um metrô às 18 hrs com um colega, quem não apareceu e me rendeu uma hora de conversa com esse guardinha. Primeiro a gente pensa "Pobre homem, trabalhando enquanto todos os blocos de Brasilia passam lá fora", mas se ele não estivesse ali naquele horário, nada naquele dia teria me valido a pena.
Estava claramente perdida no tempo e espaço e parei ao lado daquele homem para pedir informações e a conversa rapidamente se desfez para algumas histórias da vida dele. Me disse quando entrou no Metrô-DF e como utilizava seu tempo em dias parados como aquele. E como ele utilizava? Baixando, estudando músicas e biografias de bandas que adorava. Aparentemente a internet de lá deve ser boa, pois ele me mostrou seu MP3 com todas discografias de bandas como Black Sabbath, Iron Maiden, Scorpions, Nazareth, Queen, Led Zeppelin, entre muitas e muitas outras que agora não me recordo mais. Me contou histórias e curiosidades, sempre repetindo que adorava ler wikipédias, sites, buscar torrents com arquivos com raridades que ainda não possuía. Me contou sobre shows, DVD's, Rock In Rio e que infelizmente não pode ir em vários concertos que gostaria por causa do trabalho.
Por causa desse homem que nunca lembrarei o nome e a memoria de seu rosto que desaparecerá com o tempo penso em como muitos de nós, eu incluída obviamente, apenas sentamos e esperamos o tempo passar. Nunca fomos ensinados a como existir e pertencer a um mundo tão completo de informações para onde você olhar. Entre erros e acertos preenchemos o vazio de nossos tempos com coisas tantas vezes descartáveis. E o tempo perdido, "não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo..."
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